
A Universidade dos Açores foi palco, no passado dia 31 de janeiro, de mais uma edição do evento “Filosofâncias: Oficinas de Filosofias e Infâncias”, uma iniciativa que reafirma o pioneirismo da região no ensino do pensamento crítico desde tenra idade. O encontro, realizado no polo de Ponta Delgada, envolveu cerca de 100 crianças provenientes de escolas de Vila Franca do Campo, Nordeste e Angra do Heroísmo, promovendo sessões de diálogo filosófico que mobilizaram também professores e encarregados de educação.
O evento resulta de uma parceria estratégica entre a EBS Armando Côrtes-Rodrigues — a única escola nos Açores com um projeto estruturado nesta área — e a Universidade dos Açores, através do Núcleo Interdisciplinar da Criança e do Adolescente( NICA) e do projeto “escuto.te”. Este consórcio educativo, que conta com o apoio da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, destaca-se pela sua longevidade, tendo o projeto “Filosofâncias” sido iniciado em 2014 e abrangendo hoje cerca de 500 crianças. A relevância da iniciativa é sustentada pelo facto de a academia açoriana ser a única em Portugal a oferecer um Mestrado em Filosofia para Crianças, consolidando um percurso académico e pedagógico de referência internacional.
Durante a iniciativa, a presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, Graça Melo, sublinhou o valor diferencial deste projeto na formação pessoal e académica dos jovens. A autarca, que acompanhou o arranque da iniciativa enquanto docente, destacou a evolução comportamental e cognitiva dos alunos, defendendo que este modelo de “saber ser e saber fazer” deveria ser replicado noutras comunidades escolares a nível regional e nacional.

“Apostámos num projeto que pauta pela diferença, tanto a nível do percurso académico, como também pela formação pessoal dos jovens, munindo-os de ferramentas que os ajudam na sua ‘maneira de ser, estar e saber fazer’, tendo-se notado uma grande evolução nas crianças após a introdução de filosofia para crianças na escola”, referiu a autarca que defendeu ainda que esta metodologia não deve ficar confinada ao concelho, mas sim servir de modelo para outras comunidades escolares a nível regional e nacional.
Ao felicitar a direção da EBS Armando Côrtes-Rodrigues e a equipa de investigação da Universidade, representada por Magda Carvalho, Graça Melo reiterou o compromisso da autarquia em continuar a investir no “Filosofâncias”. O evento reforça a identidade educativa de Vila Franca do Campo como um território que aposta em ferramentas de cidadania ativa e pensamento livre logo nos primeiros anos de escolaridade.

No próximo dia 2 de fevereiro, a Praça do Município de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, volta a ser o centro das celebrações do “Cantar às Estrelas”, recebendo 13 grupos musicais e cerca de meio milhar de participantes.
A tradição volta a cumprir-se na próxima segunda-feira, em Ponta Delgada, com a participação de 13 grupos musicais informais, compostos por cerca de 500 pessoas provenientes de várias freguesias do concelho. O evento, promovido anualmente pela autarquia local no início de fevereiro, terá como cenário principal a Praça do Município e o edifício dos Paços do Concelho, onde os grupos evocam quadras diversas em jeito de saudação ou agradecimento.
O programa de atuações arranca logo no período da tarde, pelas 14h30, com o Grupo do Centro Intergeracional de São Sebastião, seguindo-se o Colégio do Castanheiro às 15h00. Após um intervalo, a animação retoma às 17h30 com a Rede Municipal de ATL – EB/JI São José (Vitória), o Conservatório Regional de Ponta Delgada às 18h00 e a TAUA – Tuna Académica da Universidade dos Açores às 19h00.
O período da noite será particularmente preenchido, iniciando-se às 19h30 com o Grupo Estrela da Marcha dos Arrifes / Folia dos Arrifes, seguindo-se o Grupo Folclórico de São Miguel e a Tuna com Elas às 19h45. Pelas 20h00, atua o Grupo de Cantares às Estrelas da Covoada, seguido do Grupo Folclórico dos Arrifes às 20h15.
A reta final da celebração contará com o grupo “Vozes ao Entardecer” da Academia Sénior da Universidade dos Açores, às 20h30, o Grupo Folclórico da Fajã de Baixo, às 20h45, e o Grupo Folclórico Ilha Verde, às 21h00. O encerramento oficial da noite ficará a cargo do Grupo de Cantares às Estrelas de Feteiras, com atuação prevista para as 21h15.
Após as prestações musicais diante do executivo municipal, todos os grupos serão convidados a subir ao Salão Nobre dos Paços do Concelho. Neste espaço, os participantes poderão desfrutar de um momento de convívio e do tradicional beberete que lhes é oferecido pela autarquia de Ponta Delgada.

O corpo de um homem de 59 anos foi encontrado, na tarde desta quarta-feira, 29 de janeiro, junto ao ilhéu de São Roque, em Ponta Delgada. As causas que estiveram na origem da ocorrência são, por enquanto, desconhecidas.
Na sequência de um alerta recebido pelas 17h18, através do Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Ponta Delgada (MRCC Delgada), foram de imediato mobilizados para o local elementos da Capitania do Porto, do Comando Local da Polícia Marítima de Ponta Delgada e tripulantes da Estação Salva-vidas. A operação contou ainda com o apoio dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, da Viatura de Suporte Imediato de Vida (SIV), bem como da Polícia de Segurança Pública e da Polícia Judiciária.
À chegada ao local, as equipas de socorro confirmaram que a vítima se encontrava numa zona de difícil acesso. O corpo foi retirado da água pelos tripulantes da Estação Salva-vidas e, posteriormente, encaminhado para terra.
O óbito foi verificado no local pela Delegada de Saúde e, após o contacto com o Ministério Público e a realização das diligências devidas pela Polícia Judiciária, o corpo foi transportado para a morgue do Hospital do Divino Espírito Santo. Foi também ativado o Gabinete de Psicologia da Polícia Marítima, tendo o Comando Local da Polícia Marítima de Ponta Delgada tomado conta da ocorrência.

Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, inaugurou esta quinta-feira, 29 de janeiro, oficialmente o ano de 2026 como Capital Portuguesa da Cultura, num evento no Coliseu Micaelense que uniu a afirmação da identidade atlântica a um robusto plano de investimento. O presidente da Câmara Municipal, Pedro Nascimento Cabral, afirmou na passada terça-feira que “Ponta Delgada veste-se com orgulho de Capital Portuguesa da Cultura”, sublinhando que “2026 é o ano mais cultural que Ponta Delgada alguma vez conheceu” e o momento em que a cidade se projeta decisivamente no país e no mundo.
Segundo nota enviada pela autarquia, este projeto assenta num investimento global de 5,3 milhões de euros para a capitalidade, ao qual acresce um reforço municipal de 6,5 milhões de euros destinado a manter a atividade cultural regular do concelho, totalizando uma mobilização financeira sem precedentes para a região.
Presente esta quinta-feira na cerimónia, o presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, destacou o percurso de sucesso iniciado com a candidatura original à escala europeia. “É um orgulho chegar a 2026 e sentir que a ousadia de, há uns anos, candidatar Ponta Delgada a Capital Europeia da Cultura permitiu fazer um percurso de sucesso e de envolvimento”, referiu o governante. Bolieiro fez questão de frisar que esta celebração ultrapassa as fronteiras municipais, declarando que “esta realização não será apenas de Ponta Delgada, mas dos Açores inteiros, do nosso talento e capacidade”, num ano que ganha especial relevância por coincidir com o cinquentenário da Autonomia política dos Açores e da Constituição democrática portuguesa.
A operacionalização desta visão cabe a uma equipa liderada pela comissária Katia Guerreiro, que apresentou uma programação para o primeiro trimestre focada na proximidade e na formação. Projetos como o “Raiz”, que envolve filarmónicas e ranchos das 24 freguesias, e o festival “Mica”, dedicado às artes performativas em contexto escolar, materializam o objetivo de “lançar sementes para o amanhã”. Segundo a comissária, a missão é “promover um serviço educativo e formativo que seja eficaz na sensibilização da comunidade”, assegurando que a cultura chegue a todos os estratos sociais, desde os bebés aos seniores, integrando-os ativamente na criação artística.
O arranque oficial das festividades deu-se com o espetáculo “Deixa Passar a Vida”, uma produção inspirada na obra de Natália Correia que simbolizou a união entre a tradição literária e a modernidade performativa. Com a presença de figuras de relevo como a Ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, o evento marcou o início de uma transformação que pretende deixar um legado duradouro. José Manuel Bolieiro concluiu a sua intervenção com uma nota de esperança dirigida à juventude açoriana, afirmando ser “uma enorme alegria ver o futuro manifestar-se” através de um projeto que consagra a cultura como a expressão máxima da identidade de um povo insular e resiliente.